A FADIGA DECISÓRIA FAZ MÉDICOS SEREM MENOS PRODUTIVOS À TARDE?

Publicado em: 28 de jun, 2019

TEMPO DE LEITURA: Aprox. 2 min

Segundo uma pesquisa divulgada no artigo de John Tierney no New York Times, a fadiga decisória é um fenômeno que afeta médicos (e indiretamente pacientes), diminuindo a capacidade de fazer bons diagnósticos com o passar do dia. Portanto, além de recomendar que estes profissionais da saúde façam várias pausas durante o dia, o estudo também sugere que pacientes prefiram consultas durante o período da manhã, ou que vão bem informados e dispostos ao consultório.

A fadiga decisória trata-se, resumidamente, do cansaço mental que se acumula durante o dia quando a pessoa precisa permanecer em estado de alerta ou tomar várias, mesmo que pequenas, decisões seguidas. Quando isto acontece, parte do cérebro responsável pelo controle executivo se cansa, e aí então aumentam as probabilidades de ceder às tentações, de tomar decisões por impulso, ou até de entrar no modo “piloto-automático”.

O conceito de fadiga decisória ficou muito conhecido quando pessoas como Barack Obama, Mark Zuckerberg e Steve Jobs divulgaram que limitavam suas decisões diárias de vestuário, por exemplo, para poupar energia para as decisões “que realmente importam”.  A ideia é “não cansar” o cérebro com pequenas decisões para que este chegue ao fim do dia ainda bem produtivo.

Pesquisadores e psicólogos acreditam que os médicos são mais eficientes e produtivos pela manhã, e que a fadiga decisória acaba por drenar a energia mental destes, fazendo com que os atendimentos ao final do dia sejam, de alguma forma, menos precisos.

FADIGA DECISÓRIA EM MÉDICOS – O ESTUDO

A pesquisa de John Tierney comprovou que médicos tendem a prescrever mais antibióticos e solicitar mais exames desnecessários no final da tarde, ao contrário do que acontece no começo da manhã. Isso está associado à falta de energia para investigar, explicar situações para o paciente e ouvi-lo com atenção, entre outros fatores. E essa ideia vai contra ao movimento atual apoiado por muitos profissionais da saúde, que é o Choosing Wisely, o qual já citamos aqui anteriormente, que diz que menos é mais na medicina.

O CONTRAPONTO

Um novo estudo, entretanto, divulgado no jornal El País recentemente, questiona essa premissa da fadiga decisória. A psicóloga Carol Dweck e sua equipe acreditam que a mudança no processo decisório ao longo do dia tem mais a ver com motivação (ou falta dela) do que com fadiga mental, e que na realidade ainda não se sabe ao certo o que causa o fenômeno.

Um dos pesquisadores do tema, Michael Inzlicht, afirma que a renúncia da escolha de roupas por parte de Steve Jobs ou Barack Obama é um truque possivelmente inútil, pois pode fazer sentido apenas para quem considera a tarefa um fardo. Já entre as pessoas que veem prazer na atividade, este processo de decisão diário pode até aumentar o estado de ânimo.

Se a fadiga mental existe ou não da maneira como foi sugerida, o fato é que médicos e profissionais da saúde tendem a trabalhar em excesso, tanto para o corpo, quanto para a mente.

A carga de responsabilidade da profissão eleva o nível de estresse por si só, por isso, para que possam cuidar de pacientes com eficiência e qualidade, é necessário que antes cuidem da própria saúde mental, emocional e física.

E você, o que acha? Já viveu alguma experiência que se enquadra na hipótese? Tem opinião a respeito? Use o espaço dos comentários para discutirmos mais o assunto.

Redação: Marisol de Freitas Vieira
Revisor:
Dr. Cláudio J. Trezub


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