COMO O CHECKLIST PODE DIMINUIR OS ERROS DE DIAGNÓSTICOS

Publicado em: 3 de out, 2019

TEMPO DE LEITURA: Aprox. 3 min.

REDAÇÃO: MARISOL DE FREITAS VIEIRA    REVISÃO: DR. CLÁUDIO J. TREZUB

Um simples checklist pode melhorar a segurança diagnóstica? O diagnóstico é uma das primeiras (e fundamental) etapas para o tratamento do paciente, e é importante que seja feito com extremo cuidado e atenção, e com o maior nível de precisão possível.

Em artigos anteriores pudemos observar que as condições de trabalho impostas aos médicos na atual conjuntura da prestação de serviços de saúde estão sendo motivo de falhas no estabelecimento de diagnósticos mais precisos. O excesso de trabalho, jornadas extenuantes, e o grande número de pacientes a atender, dentre outras condições podem afetar negativamente o processo.

No intuito de evitar erros de diagnósticos, falhas ou imprecisões, surgiu a proposta do checklist do diagnóstico seguro, como uma ferramenta de auxílio aos médicos em geral, e àqueles dos setores de pronto-atendimento em especial. O método vem sendo cada vez mais usado nos centros médicos, e tem demonstrado resultados efetivos.

CHECKLIST: DE ONDE SURGIU A IDEIA

O checklist é um recurso que ganhou destaque na aviação, no período da Segunda Guerra Mundial. Com o avanço da tecnologia e aeronaves cada vez mais complexas, os pilotos passaram a enfrentar dificuldades em realizar todas as etapas necessárias para decolagens e pousos seguros. A falta da ativação ou desativação de certo dispositivo, por exemplo, causada pelo esquecimento por parte dos pilotos, levava a acidentes graves e muitas perdas.

Assim surgiu a ideia de um checklist com todas as tarefas que pilotos e copilotos deveriam realizar para executar o plano de voo de forma segura e padronizada, evitando erros, distração ou descuido, e diminuindo o fator humano dos acidentes aéreos. 

O checklist deu tão certo que passou a ser utilizado em outras áreas que exigem um alto grau de assertividade, como a Medicina.

O CHECKLIST NA MEDICINA

Tratamentos de saúde bem-sucedidos dependem de muitas coisas, mas o elemento de maior peso nessa conta é, sem dúvida, um diagnóstico correto. E, para chegar nele o médico precisa levar em consideração uma série de informações, tais como os sintomas relatados pelo paciente, os dados colhidos na anamnese, antecedentes mórbidos e histórico clínico pregresso, além das alterações detectadas no exame físico e a análise de exames complementares.

É sabido que fatores pessoais e externos podem interferir nessa análise, tais como a fadiga, que já citamos, e outros aspectos que abordaremos mais adiante. Isso significa que o processo da análise diagnóstica, se não for feito com cuidado, pode facilmente deixar escapar alguma possibilidade que faça a diferença entre o sucesso ou o insucesso do tratamento.

Nesse sentido, o checklist funciona como uma lista de considerações simples, mas que não devem ser esquecidas no momento do diagnóstico. Isso porque o médico, além dessas tarefas, precisa pensar e analisar outras questões importantes que dependem da sua experiência e julgamentos.

A ideia da lista é tornar a Medicina ainda mais segura.

A LISTA DO PODER

O médico nefrologista Fabrizio Prado, em seu artigo “o checklist do diagnóstico seguro”, apresenta uma versão adaptada para o português do TWED, que é um mnemônico desenvolvido originalmente em inglês para o checklist do diagnóstico seguro.

A versão original diz que o TWED consiste em:

  • Threat
  • Wrong/What’s Else?
  • Evidences
  • Dispositional factors.

A adaptação em português sugere que o mnemônico seja PODER:

  • Predisposições (pressão, afeto, pressa)
  • O que mais pode ser?
  • Dados estão completos? (anamnese, exame físico, outros exames)
  • Erro (erro meu ou dos outros)
  • Risco (iminente de vida ou de perda de membro)

Sobre este checklist, Prado explica cada item:

A “predisposição” tem a ver com fatores do ambiente ou pessoais que possam afetar o diagnóstico, como cansaço ou pressa do médico, sentimentos muito positivos ou negativos em relação ao paciente, ou a pressão externa.

Já “o que mais pode ser?” é uma pergunta fundamental que o médico sempre deve se fazer na hora do diagnóstico, para não se focar excessivamente em um diagnóstico específico ou inicial. Esta é considerada a estratégia antivieses mais eficaz que existe.

Dados estão completos?” é para lembrar ao médico o fato de pedir e avaliar o maior número de dados possível, para proporcionar uma visão mais completa do quadro clínico e assim melhorar o prognóstico da doença. Médicos devem evitar “herdar” diagnósticos sem verificação.

O item “erro” é para recordar que uma dose de desconfiança pode ser benéfica, no sentido de ter em mente que os diagnósticos atuais, diagnósticos passados e os exames complementares podem sim estar errados.

Já a avaliação do “risco” é importante para priorizar a atenção e minimizar os danos (morte ou complicação grave, como a perda de um membro). Tais situações devem tratadas primeiramente, antes de avançar com qualquer outra investigação mais aprofundada.

A ideia é que o checklist do diagnóstico seja usado com tal frequência que passe a ser habitual, porém sempre tendo em mente que é mais uma ferramenta, e não pode ser substituído integralmente pelo raciocínio clínico. Já é possível observar, em locais onde ele foi implementado, uma diminuição drástica de erros de conduta das equipes de médicos e enfermeiros e no aumento da segurança do paciente – algo que deve estar sempre dentro das metas de qualquer profissional da saúde.


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