ENQUETE MUNDIAL MOSTRA QUE É CADA VEZ MAIS DIFÍCIL EXERCER A MEDICINA

Publicado em: 5 de abr, 2019

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Que a vida moderna trouxe novas formas de adoecimento já sabemos. Muitos dos males da humanidade neste século 21 decorrem de situações inerentes ao “progresso”, que nos impõe ritmo de vida e de trabalho não saudáveis, nos presenteia com tecnologias que, ao par de facilitar processos, com tempo mostram efeitos colaterais danosos sobre nossa saúde física e mental.

Pode parecer paradoxal, mas uma das categorias profissionais mais atingidas por transtornos mentais relacionados à atividade profissional é a dos médicos.

Inúmeras pesquisas têm demonstrado a elevada incidência de quadros de depressão e “burnout” entre médicos, num fenômeno mundial.

SÍNDROME DE BURNOUT

A Síndrome de Burnout é um estado físico, emocional e mental de exaustão extrema, resultante do sobrecarga emocional e exigências excessivas em situações de trabalho que são emocionalmente exigentes e/ou estressantes, que demandam muita competitividade ou responsabilidade.

A principal causa dessa doença, também conhecida como Síndrome do Esgotamento Profissional, é o excesso de trabalho. É muito comum em profissionais que atuam diariamente sob pressão e com responsabilidades constantes, como médicos, enfermeiros, professores, policiais, jornalistas, dentre outros.

Literalmente traduzido do inglês, “burn” significa queima e “out” exterior. Em português pode-se tentar traduzir como  “estar acabado, queimado, inerte como cinzas” para definir o quadro.

A Síndrome de Burnout também pode acontecer quando o profissional estabelece (ou lhe são exigidas) metas de trabalho muito difíceis, situações em que a pessoa pode se sentir sem capacidade suficiente para cumprir.

Essa síndrome pode evoluir para um estado de depressão grave, e por isso é essencial procurar apoio profissional logo aos primeiros sintomas.

ENQUETE MUNDIAL

Em artigo publicado recentemente pela Medscape[1] (veja a íntegra no link abaixo), onde se reportam os resultados de uma enquete realizada com médicos de 6 países, verificou-se que mais de 1/3 até a metade dos entrevistados referiram ser portadores de burnout, sendo os encargos administrativos e os salários inadequados os principais fatores relacionados com a doença.

Os resultados ratificaram os de outras pesquisas, que identificaram anteriormente o burnout e a depressão como os principais problemas da prática médica.

Dos entrevistados, entre 36% a 51% informaram ter burnout, depressão, ou ambos. E, dentre os médicos que indicaram sofrer de burnout, de 19% a 25%, em cinco dospaíses pesquisados, disseram que sua angústia era grave o suficiente para que considerassem abandonar a medicina.

PRONTUÁRIOS ELETRÔNICOS

Achado interessante foi a referência dos médicos ao aumento da informatização do trabalho pelos prontuários eletrônicos como fator de burnout.

Pode-se concluir que nos Estados Unidos os prontuários eletrônicos transformaram uma tecnologia antes considerada uma potencial economia de tempo para os médicos, em importante fonte de estresse para quem tem que trabalhar com eles.

Os prontuários eletrônicos facilitaram que os convênios e os planos de saúde, bem como terceiros, imponham exigências para verificação de desempenho, sem que ninguém tenha uma visão panorâmica que identifique o acúmulo de trabalho gerado”, disse a Dra. Christine Sinsky, da American Medical Association (AMA).

MEDICINA EM FOCO

Burnout, depressão, suicídio, dependência química, doenças cardiovasculares, entre outras condições de adoecimento dos médicos… Cabe aqui uma reflexão: devemos buscar a cura das doenças dos médicos, ou seria mais conveniente tratar a própria Medicina, que adoeceu nos tempos modernos?

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Redação: Marisol de Freitas Vieira
Revisor: Dr. Cláudio J. Trezub

[1] Burnout médico: diferenças entre os países – Medscape – 1 de março de 2019


LINKS RELACIONADOS

Ministério da Saúde – Síndrome de Burnout: causas, sintomas, tratamentos, diagnóstico e prevenção

Medsacape – Burnout médico: diferenças entre os países
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