ERRO MÉDICO E HOSPITALAR – UM NOVO ENFOQUE

Publicado em: 18 de jul, 2019

TEMPO DE LEITURA: Aprox. 5 min

Médico demonstrando cansaço, fadiga. Business photo created by katemangostar - www.freepik.com

Por dia, morrem aproximadamente 148 pessoas devido a erro em hospitais no Brasil, de acordo com estudo divulgado na revista Galileu em 2018. Esse dado alarmante perde apenas para o das mortes violentas intencionais no país, que registram 175 óbitos diários, segundo a Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

O ERRO MÉDICO PODE SER EVITADO?

A verdade é que errar é humano, e médicos não são deuses… Médicos, enfermeiros e outros profissionais que lidam com prestação de serviços de saúde são apenas seres humanos, sujeitos a falhar e sofrer acidentes.

Com essa visão, é mais do que hora de tratarmos os erros na prática da medicina de maneira diferente, visando a prevenção e aprendendo com eles, com o intuito de diminuir as ocorrências, ou torná-las menos prejudiciais, tanto para os médicos quanto para os pacientes.

Geralmente o erro médico é tratado de maneira muito pontual e voltado para a judicialização,  imputando exclusivamente a culpa e responsabilidade ao profissional, como a se entender que erros assim não possam ocorrer independente da melhor prática médica. Dessa forma a proposta é que passemos a encarar os erros médicos como algo realmente passível de ocorrer (como os acidentes em geral) e, portanto, que merecem atitudes de prevenção, e podem servir de aprendizado para evitar futuras ocorrências.

Trata-se de uma proposta de mudança de comportamento e de cultura, onde os erros acontecidos servirão de aprendizado para toda a comunidade médica, a exemplo do que acontece na aviação.

Na aviação, quando um erro ocorre, ele é discutido abertamente, sem apontar culpados, para que se possa entender os motivos, as consequências, e de que maneiras poderia ser evitado. Por este motivo trata-se de uma indústria que possui um número reduzido de erros e é considerada, portanto, uma das mais seguras.

O ERRO MÉDICO EM DEBATE

Médico bocejando. Background photo created by luis_molinero - www.freepik.com

Todas as observações trazidas neste artigo são de estudiosos, médicos e pesquisadores da área, e estão em um documentário chamado “To err is humam” (“Errar é humano”), que busca discutir as causas da epidemia de erros na medicina, e buscar maneiras de proporcionar mais segurança aos pacientes.

O documentário conta com opiniões como a do Dr. Ashish Jha, da faculdade de medicina de Harvard, por exemplo, que diz que a reação natural do humano ao errar (tentar consertar rapidamente sem contar a ninguém) é maléfica e deve ser revista na medicina. Ou também da Dra. Tejal Gandhi, que acredita que a busca deve ser pela minimização dos danos causados pelos erros, uma vez que estes não podem ser totalmente eliminados.

Você pode assistir ao documentário aqui.

ERRO MÉDICO: COMO O PACIENTE PODE AJUDAR

Além disso, há uma corrente crescente nos Estados Unidos, e que tem ganhado força em outros países, que diz respeito à Segurança do Paciente. A ideia é conscientizar cada vez mais as pessoas sobre a importância de serem pacientes engajados, para assim colaborarem para amenizar o erro no diagnóstico e no tratamento, por exemplo.

Quando pacientes são mais ativos, questionadores, e quando elevam a sua expectativa em relação aos serviços de saúde, a tendência é aumentar a qualidade dos mesmos. É o que busca a ativista americana Sue Sheridan, depois que perdeu o marido e teve seu filho afetado permanentemente por erros de diagnósticos. Ela discursa em conferências médicas e grupos de pacientes para chamar a atenção para o problema.

APÓLICES DE SEGURO PODEM AJUDAR?

Médica demonstrando cansaço, fadiga. People photo created by Dragana_Gordic - www.freepik.com

Muitos médicos podem acreditar que uma boa saída para se protegerem dos danos judiciais causados por um erro é a contratação de apólices de seguro de responsabilidade civil profissional. Mas, de acordo com artigo publicado por Renato de Assis Pinheiro na Revista Jus Navigandi, a prática é desaconselhada.

Isso porque, de acordo com o autor, as apólices de seguro, mesmo que deem a impressão de total cobertura, possuem várias situações excludentes que podem deixar o médico desassistido, e ainda podem prejudicá-lo indiretamente em casos judiciais.

A grande maioria das apólices possui a regra da “denunciação à lide”, que faz com que as seguradoras sejam incluídas como rés nas ações juntamente com os médicos, o que aumentam as chances de condenação e acaba elevando consideravelmente o valor das indenizações.

Além destes pontos negativos, o autor cita vários outros agravantes no problema da contratação de apólices de seguro. Caso queira ler o artigo na íntegra, acesse aqui.

E você, o que acha? O que deve ser feito para que os danos relacionados ao erro médico sejam amenizados?

Compartilhe conosco sua opinião nos comentários!  

Redação: Marisol de Freitas Vieira
Revisor:
Dr. Cláudio J. Trezub


LINKS RELACIONADOS:


Gostaria de entrar em contato conosco? Basta deixar seu comentário abaixo ou nos enviar um e-mail
Algum link não funciona? Nos avise!

Veja também...