MENOS É MAIS – ESCOLHAS INTELIGENTES NA MEDICINA

Publicado em: 6 de jun, 2019

TEMPO DE LEITURA: Aprox. 3 min

Um novo movimento tem influenciado médicos e profissionais de saúde a adotarem a premissa do “menos é mais” na medicina. Questionar-se antes de prescrever tantos remédios, de solicitar exames invasivos ou de recomendar tratamentos exagerados, são algumas das ideias do programa Choosing Wisely, que nasceu nos Estados Unidos em 2012 e já ganhou adeptos em vários países, inclusive no Brasil.

A proposta é gerar o diálogo entre médicos e pacientes para que, juntos, questionem-se a respeito da necessidade de cuidados médicos inúteis ou prejudiciais, que podem representar mais riscos que benefícios. Os organizadores do estudo afirmam que a figura do “médico ativo” precisa ser substituída por aquele que se baseia em evidência científica.

O objetivo principal do Choosing Wisely é melhorar a qualidade da assistência, reduzindo os riscos à saúde dos doentes. Os médicos criadores do programa ressaltam que não se trata de uma questão de economizar recursos, e que a iniciativa não é governamental, mas sim dos próprios profissionais de saúde.

A evidência científica em saúde é importante pois as condutas terapêuticas devem ser um conjunto das ponderações com base nas opiniões e valores dos pacientes, na experiência do profissional de saúde, e nos principais estudos relevantes na área de conhecimento em questão. E isto precisa ser resgatado.

PACIENTES TAMBÉM PRECISAM MUDAR CONCEITOS

Uma pesquisa (Health Affairs 2010;29:1400–1406) identificou que doentes e pacientes consideram, em sua maioria, que técnicas e medicamentos modernos são muito mais eficazes que os antigos, e que os cuidados mais dispendiosos são sempre de melhor qualidade. Mas isso vai contra ao que os médicos acreditam. Por isso o programa torna-se tão importante.

Na realidade, para o paciente, exames e tratamentos desnecessários podem representar: alarmes falsos, preocupação e ansiedade enquanto aguarda o resultado, necessidade de deslocamentos e de ausentar-se do trabalho, gastos desnecessários, danos à saúde (como raios-X que expõem o paciente à radiação), entre outros.

Por este motivo, além de toda a orientação voltada aos profissionais de saúde, o programa também disponibiliza materiais de linguagem acessível para ajudar médicos a conscientizarem pacientes sobre a importância de adotar o “menos é mais”. Você pode ter acesso ao material original da campanha, em inglês ou espanhol, neste link.

PRÁTICAS QUE DEVEM SER EVITADAS

A realização de alguns exames pode apresentar riscos a algumas pessoas, como é o caso da tomografia computadorizada em crianças, por causa dos níveis de radiação liberados durante o procedimento. Por isso, caso seja possível, outros exames menos invasivos devem ser considerados antes de solicitar uma tomografia entre pacientes jovens.

Este é apenas um dos exemplos de práticas médicas sobre a qual a campanha pretende gerar debate e mudanças de pensamento.

Portanto, algumas das principais recomendações do programa Choosing Wisely para os profissionais de saúde são:

  1. Não fazer de rotina PSA ou toque retal para rastrear câncer de próstata;
  2. Não prescrever inibidor de bomba de prótons continuamente;
  3. Não solicitar exame de vitamina D em adultos de baixo risco;
  4. Não solicitar exame de sangue anual de rotina exceto se indicado pelo risco individual;
  5. Não prescrever antibióticos para infecções respiratórias superiores que têm alta probabilidade de ser viral;
  6. Não solicitar mamografia de rotina para mulheres de baixo risco entre 40 e 49 anos.
    (Fonte: Choosing Wisely Brasil da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade)

PARA REFLETIR

Porém, é importante citar que os criadores e adeptos do programa entendem que cada paciente é único e que não devem ser excluídos ou evitados tratamentos necessários para cura ou melhora de um paciente. Apenas deve-se evitar intervenções desnecessárias quando a relação risco-benefício é desfavorável.

Sendo assim, ficam aqui alguns questionamentos para você refletir:

  • Quanto mais testes foram feitos, melhor será o diagnóstico ou tratamento?
  • O paciente faz parte do grupo de risco?
  • O procedimento trará mais benefícios do que riscos, e é realmente necessário?
  • O doente foi devidamente informado de todos os riscos e opções disponíveis?
  • As opiniões do paciente foram consideradas?

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