SUICÍDIO INFANTIL É COISA NOVA? NÓS CONTAMOS A VERDADE…

Publicado em: 30 de maio, 2019

TEMPO DE LEITURA: Aprox. 5 min

O SUICÍDIO INFANTIL JÁ ACONTECIA ANTES DOS JOGOS DE REDES SOCIAIS.

Desde o ano passado o tema do suicídio entre crianças e adolescentes tem ganhado atenção da mídia, seja por causa de seriados ou por supostos jogos e desafios na internet.

Mas, com isso, têm surgido também muitas dúvidas: será que filmes e jogos têm incrementado o suicídio entre crianças e jovens? Falar sobre o tema incentiva novos casos? Os jovens estão tirando suas vidas mais do que antes? Se sim, por quê?

Essas e outras questões serão abordadas neste artigo. Acompanhe.

Em primeiro lugar é importante dizer que não é correto afirmar que os recentes filmes e seriados (como por exemplo o “13 Reasons Why”) ou os supostos jogos como o “Baleia Azul” ou o “Desafio da Momo” tem sido responsáveis pelo aumento no número de suicídio entre jovens. Esta ocorrência, infelizmente, já existia antes.

ESTATÍSTICAS

O fato é que o suicídio é a terceira causa de morte na adolescência há algum tempo. Entre 2002 e 2012, houve um aumento de 40% na taxa de suicídio entre crianças e adolescentes (de 10 a 14 anos), e de 33,5% na faixa etária de 15 a 19 anos.

Constatou-se também um forte aumento nas tentativas entre indivíduos dos 8 aos 17 anos (abaixo dessa idade, os casos são automaticamente classificados como acidente). A ideação suicida é comum na idade escolar e na adolescência. As tentativas, porém, são raras em crianças pequenas. 

Especialistas afirmam que as tentativas de suicídio frequentemente envolvem pelo menos alguma ambivalência quanto ao desejo de morte, e que podem ser um pedido de ajuda.

Por isso é importante estar atento, tentar entender, e oferecer apoio.

Mas, o que leva uma criança a tentar tirar a própria vida? Dados mostram que 90% dos jovens apresentam algum transtorno mental no momento do suicídio (e em 50% destes, o transtorno mental já estava presente havia pelo menos 2 anos). Outra pesquisa aponta que 1 em cada 5 crianças possui algum tipo de problema de saúde mental. Entretanto, é mais difícil diagnosticar este tipo de transtorno, uma vez que eles não verbalizam tanto sobre aquilo que pensam ou sentem.

FATORES DE RISCO

A presença de problemas como a depressão ou transtorno bipolar não caracterizam por si só um potencial suicida. São fatores de risco sim, mas geralmente somam-se a eventos estressantes, e aí então podem desencadear o comportamento. Os problemas psicológicos podem ser: depressão, abuso de drogas e álcool, impulsividade, ansiedade, esquizofrenia, e transtorno de estresse pós-traumático.

Situações subjacentes podem ser:  sentimento de abandono, experiência de abusos físicos ou sexuais, bullying, desorganização familiar, desajustamento na escola ou em casa e a desesperança em relação ao futuro.

A PERCEPÇÃO DE MORTE NA INFÂNCIA

Como mencionamos acima, pensamentos de morte e suicídio são mais comuns entre crianças acima dos 10 anos de idade, mas ainda assim existem registros de crianças abaixo dessa faixa etária que tiram a própria vida.

Entre os mais novos, a situação é especialmente cruel, porque a total consciência sobre a morte se consolida apenas por volta dos 12 anos.

A percepção delas sobre o tema evolui da seguinte forma:

  • Até 4 anos: a ideia é limitada, sem emoção especial (fase do pensamento pré-lógico).
  • Após os 6 anos: reações afetivas à morte, e o temor da morte da mãe, sem crer na sua própria.
  • Após os 7 anos: pensa na morte como algo humano, mas só vagamente que um dia morrerá.
  • Após os 8 anos: aceita que todos vão morrer um dia, e ela inclusive.
  • Após os 9 anos: aceita que irá morrer um dia, com realismo.
  • De 11 a 12 anos: noção muito próxima a do adulto pela abstração adquirida.

EVENTOS EM CADEIA

Sabe-se que quando um suicídio de uma criança ou jovem acontece, há um risco considerável de que outro venha a ocorrer, não muito tempo depois, na mesma família, escola ou comunidade. Em média, um único suicídio afeta outras seis pessoas.

Os jovens são mais sugestionáveis, mas isso não significa que o tema suicídio é um tabu e que não deve ser mencionado. Ele deve ser abordado da maneira correta, principalmente entre aqueles que estão de luto por alguém que tirou a própria vida.

Alguns psicólogos afirmam que deve ser implantado um protocolo de posvenção nas escolas quando um caso de suicídio entre os estudantes é registrado, mesmo que o fato não ocorra dentro da instituição.

Posvenção é um conceito relativamente novo que resume qualquer ato apropriado e de ajuda que aconteça após o suicídio, com o objetivo de auxiliar os sobreviventes. O trabalho deve ser feito tanto com os colegas da sala do estudante quanto com os demais alunos da escola, além dos professores e funcionários.

COMO EVITAR SUICÍDIOS INFANTIS

A prevenção é a palavra-chave neste caso, mas uma vez que os transtornos mentais e psicológicos são de difícil diagnóstico entre crianças, é preciso estar atento aos detalhes comportamentais. Havendo qualquer alteração, um profissional de saúde deve ser consultado.

Todas as ameaças e tentativas de suicídio devem ser levadas muito a sério.

Uma das soluções para isso, segundo o psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, seria acabar com o preconceito e o medo de falar de doenças como a depressão, a ansiedade e a esquizofrenia, além de ampliar o acesso ao tratamento na rede pública. “Não é proibido falar, só não podemos falar de forma errada. Não podemos glamourizar, nem ensinar técnicas”, diz Silva, presidente eleito da Associação Psiquiátrica da América Latina (APAL).

Há também um telefone de apoio. Basta ligar (ligação gratuita)  para o número 188, que oferece apoio emocional e de prevenção do suicídio. O serviço opera 24 horas e também está disponível por e-mail e chat.

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Redação: Marisol de Freitas Vieira
Revisor: Dr. Cláudio J. Trezub


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