ITÁLIA PRENDE GRUPO QUE FRATURAVA PERNAS E BRAÇOS PARA FRAUDAR SEGUROS

Publicado em: 23 de jan, 2019

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Fraudes para conseguir seguros surpreendem pela crueldade e articulação.

Até onde vai a ganância das pessoas? Quando o assunto é fraudar seguradoras parece que não há limites. Recentemente na Itália foi preso um grupo de 11 pessoas que recrutavam viciados e alcoólatras para forjarem acidentes de atropelamento e se beneficiarem com o valor do seguro. Eles fraturavam pernas e braços das vítimas usando pesos de academia e prometiam dar até 30% do dinheiro recebido, que podia chegar a 150 mil euros (cerca de R$ 650 mil).

Mas as autoridades constataram que os acidentados recebiam apenas entre 50 e 100 euros cada, e eram abandonados em uma estrada, mesmo quando os acidentes os deixavam em cadeiras de rodas ou incapacitados por meses. A investigação começou em 2017, quando um homem foi encontrado morto em uma estrada com diversas fraturas, que posteriormente foram constatadas não terem sido provocadas por atropelamento, e sim, intencionalmente.

A automutilação infelizmente é uma prática comum quando o assunto é fraudar seguradoras. Não podemos subestimar a ganância ou o desespero das pessoas, que por vezes chegam a tomar medidas extremas, como provocar um acidente, para conseguir o dinheiro do seguro.

Um caso semelhante ocorreu em Santa Catarina, onde uma quadrilha fazia seguros de acidentes pessoais para lavradores e lhes prometiam de 5% a 30% da indenização caso aceitassem ter os dedos decepados, e alegassem acidente de trabalho. O Ministério Público investigou o caso por seis meses, a pedido das seguradoras, e desarticulou a quadrilha em 2008.

Empresas de seguradoras particulares geralmente possuem mais condições de investigar a fundo as fraudes: existem departamentos internos voltados para isso, além de existir mais verba e interesse econômico.

Infelizmente, o setor público não dispõe de tanta infraestrutura para averiguar cuidadosamente todos os casos de possíveis fraudes. Por conta disso, muitos segurados ainda se aproveitam desta situação para forjarem lesões ou acidentes de trabalho, bem como acidentes de trânsito, no caso do DPVAT (seguro obrigatório para veículos).

Em 2012, fraudes comprovadas custaram às seguradoras o equivalente a 341 milhões de reais, segundo dados da CNseg. Mas, como muitas delas nunca chegam a ser descobertas, o tamanho do prejuízo deve ser maior. O setor estima que as fraudes afetem 20% de suas operações, e que caso elas não existissem, esses 20 pontos percentuais poderiam reverter em redução de custos para o consumidor.

Peritos devem prestar muita atenção aos detalhes e fazer todas as perguntas que julgarem necessárias, além da análise técnica apurada quanto ao nexo causal.

Porém, infelizmente algumas fraudes são extremamente articuladas e não envolvem apenas uma pessoa. Não são raras as vezes em que os grupos desarticulados nas investigações envolvem a participação de policiais, peritos, médicos, advogados, e outros profissionais.

Aqui no Brasil existe a Força-Tarefa Previdenciária – uma parceria formada pela Secretaria de Previdência, pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, que atua no combate a crimes contra o sistema previdenciário. A Secretaria de Previdência, a COINP é a responsável por identificar e analisar distorções que envolvam indícios de fraudes estruturadas contra a Previdência.

Qualquer cidadão pode ajudar na descoberta de fraudes. Denúncias podem ser feitas à Ouvidoria do INSS, por meio da central telefônica 135 ou pela página eletrônica www.inss.gov.br.

Redação: Marisol de Freitas Vieira
Revisor: Dr. Cláudio J. Trezub

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Revista Exame – As 7 mentiras mais absurdas usadas para fraudar seguros

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