QUANDO O TRABALHO ADOECE – DOENÇAS OCUPACIONAIS

Publicado em: 25 de jul, 2019

TEMPO DE LEITURA: Aprox. 5 min

O panorama atual do mercado de trabalho, extremamente competitivo e dinâmico, acaba por ser responsável pelo alto nível de estresse dos trabalhadores. Soma-se isso à vida moderna e caótica dos grandes centros urbanos e chega-se ao resultado de um grande número de pessoas adoecendo física e mentalmente.

Isto é preocupante tanto pelo lado humano da questão, quanto pelo lado prático: pessoas doentes custam mais para os cofres públicos (gastos no sistema de saúde  – SUS, e na Previdência Social, por exemplo, bem como o custeio das demandas na justiça, sempre presentes).

Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), os transtornos psicológicos são alguns dos fatores que mais afastam profissionais de suas atividades. Somente entre 2012 e 2016, por exemplo, foram registrados 55,3 mil casos de trabalhadores licenciados devido a esse problema, sendo 28 mil por transtorno de ansiedade ou depressão.

DOENÇAS RELACIONADAS AO TRABALHO

Doenças ocupacionais são aquelas provocadas por fatores relacionados às condições e ambiente de trabalho. Podem levar a incapacidade temporária, permanente, ou até mesmo à morte. Conforme sua natureza, são divididas em 2 grupos: as doenças profissionais e as doenças do trabalho.

As doenças profissionais são aquelas produzidas ou desencadeadas pelo exercício do trabalho específico de determinada profissão ou função; ou seja, é diretamente ligada à profissão do trabalhador. São as oficialmente reconhecidas, e constam da relação que trata o Regulamento de Benefícios da Previdência Social – RPS (decreto nº 3.048 de 06/05/1999 – Anexo II – veja o link abaixo).

São doenças causadas por agentes químicos, físicos ou biológicos, inerentes ao trabalho realizado e devidamente reconhecidos como agentes causadores de danos ao trabalhador. São exemplos a intoxicação por metais como o chumbo (produção de baterias), e a doença pulmonar conhecida como pneumoconiose (mineiros de carvão).

Já as doenças do trabalho não são relacionadas a uma atividade específica, mas surgem em decorrência do ambiente e das condições especiais em que o trabalho é realizado.

A doença do trabalho caracteriza-se pela exposição do funcionário a determinado agente que está presente em seu local de trabalho, mas não necessariamente faz parte de suas atividades profissionais. São exemplos disso transtornos emocionais e comportamentais como depressão, ansiedade e síndrome do pânico, a perda auditiva por exposição ao ruído, e as LER/DORT. Neste caso, o trabalho não é a causa específica da doença, mas tem influência sobre ela.

O QUE ADOECE OS PROFISSIONAIS?

Além do ambiente estressante (onde há pressão dos superiores, prazos apertados, metas inalcançáveis, entre outros), fatores como a desvalorização do profissional, o bullying, o assédio moral (ou até mesmo físico), e condições de trabalho precárias (como baixos salários, horários abusivos, informalidade, ilegalidade e insalubridade), levam trabalhadores a adoecerem e se afastarem de suas atividades. Alguns tratamentos podem ser longos ou até mesmo permanentes.

Nesse sentido, muito se fala nos últimos anos a respeito do “burnout”. Trata-se de uma síndrome de esgotamento relacionada ao trabalho. De acordo com o Ministério da Saúde “Síndrome de Burnout é um estado físico, emocional e mental de exaustão extrema, resultado do acúmulo excessivo em situações de trabalho que são emocionalmente exigentes e/ou estressantes, que demandam muita competitividade ou responsabilidade, especialmente nas áreas de educação e saúde.”

De acordo com um estudo da Gallup, os funcionários esgotados são 50% menos propensos a conversar com o chefe sobre suas necessidades de entrega e 63% mais propensos a faltar no trabalho por causa de doença.

Para além destes fatores, a falta de tempo para cuidar da saúde e a falta de recursos contribui para a piora no quadro da saúde geral da população em idade ativa.

ADOECIMENTO PELO TRABALHO – COMO EVITAR

De maneira geral, é inocente esperar que empresas e corporações deixem de focar nos números e nos lucros para focarem no bem-estar das pessoas. Mas, se estamos falando de soluções para o problema ou em formas de evitá-lo, o ideal seria acabar com a “glamourização” do estresse. Existem muitas culturas organizacionais que ainda valorizam o funcionário que faz hora extra e pressionam aqueles que não o fazem, por exemplo.

Outras maneiras de amenizar situações de burnout e adoecimento pelo trabalho seria tratar funcionários como pessoas únicas e valorizar o indivíduo, treinar líderes para melhorar relações interpessoais, instituir pequenas pausas ao longo do dia, disponibilizar psicólogos dentro das empresas, entre outras medidas.

Cabe também ao trabalhador estar atento aos primeiros sinais de estresse e piora da saúde mental e emocional e procurar ajuda quando necessário.

Para além do adoecimento mental, é de suma importância que os empregadores atendam sempre às normas de segurança, que sejam identificados os fatores de risco existentes no ambiente e no processo de trabalho, e que sejam implementadas medidas de proteção adequadas e de prevenção.

Vamos discutir o assunto? Utilize o campo de comentários para colocar sua opinião e contar suas experiências.

Redação: Marisol de Freitas Vieira
Revisor:
Dr. Cláudio J. Trezub


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