TODO MÉDICO DEVE ESTAR PREPARADO PARA ATENDER UM CASO DE DENGUE

Publicado em: 14 de nov, 2018

TEMPO DE LEITURA: aprox. 10 minutos

Mosquito Tigre-Asiático. Também transmissor da Dengue e Zika Virus

O ano 2018 registrou um aumento no número de casos de dengue em alguns estados do Nordeste do Brasil, apesar da queda geral nos últimos anos. Acredita-se que nos próximos anos ocorrerá um acréscimo na quantidade de ocorrências em toda a América Latina.

Isso é o que afirmou o professor e médico infectologista Dr. Kleber Luz no IdWeek, evento que reuniu especialistas de todo o mundo em San Francisco (EUA) no início de outubro para discutir doenças infecciosas¹. Dentre as mais debatidas estão a zika, a chikungunya e a dengue.

Ainda de acordo com o Dr. Luz, todo médico latino-americano deve estar preparado para atender um caso de dengue, principalmente em casos de surto. Uma vez que a forma de controle mais utilizada nos últimos anos é a vetorial, crises econômicas podem afetar o avanço da doença em países como os da América Latina.

Para os médicos em geral (serviços de assistência médica)

Beautiful young female doctor looking at camera in the office. Free PhotoO diagnóstico rápido para detecção dos casos graves é fundamental, pois pode diminuir a taxa de mortalidade para menos de 1%. O médico deve estar atento a alguns sinais em especial. A Organização Mundial de Saúde (OMS) criou uma classificação² que divide a dengue com ou sem sinais de alarme da dengue grave, sendo eles:

  • Dor ou irritação abdominal intensa ou abdômen doloroso à palpação;
  • Vômitos persistentes;
  •  Retenção de líquidos;
  • Sangramento de mucosas (boca, nariz, conjuntiva, urina);
  • Letargia ou agitação;
  • Aumento do fígado – hepatomegalia (> 2 cm);
  • Aumento do hematócrito (número de glóbulos vermelhos) acompanhado de diminuição das plaquetas (trombocitopenia) .

Durante a dengue grave o paciente apresenta:

  • Extravasamento importante de plasma que leva a choque (síndrome de choque da dengue) e acúmulo de líquidos com insuficiência respiratória;
  • Sangramento intenso;
  • Comprometimento orgânico grave: provas de função hepática alteradas (AST ou ALT de 1000), alteração da consciência.

Para os médicos peritos:

O aumento da incidência esperado, em especial de casos graves, certamente resultará em um maior número de trabalhadores acometidos e impedidos de trabalhar, com o consequente aumento da demanda por benefícios junto ao INSS e outros órgãos previdenciários.

Assim sendo, a necessidade do adequado conhecimento da doença, incluídas aqui as questões de diagnóstico, tratamento e complicações, fica ainda mais relevante para o perito, uma vez que a ele compete a correlacionar Close-up of senior woman touching nurse hand Free Photoas repercussões do quadro clínico com o trabalho exercido pelo segurado.

O médico perito do sistema previdenciário deverá estar preparado para considerar a relação dos sintomas da dengue com a incapacidade ou não do segurando de trabalhar, e, conhecendo as diversas formas de evolução e complicações possíveis, definir o tempo de afastamento suficiente. Para tal, sempre levando em consideração as particularidades e exigência do trabalho exercido e os fatores pessoais do trabalhador, como idade, condição física, reincidências, e outras condições.

Muitos casos surgirão em que, mesmo não apresentando mais sinais e sintomas do quadro agudo ou manifestações de gravidade, ainda estarão presentes fraqueza e cansaço, apatia e sintomas depressivos,  ou dores articulares persistentes, que deverão de ser adequadamente valorados pelo perito, apesar de aparentemente subjetivos.

Para estabelecer a relação da incapacidade com o trabalho é necessário observar o tipo de atividade diária que o segurado desenvolve. Se ele, por exemplo, após 30 dias já não apresenta febre ou outro sintoma de quadro agudo, mas apresenta queixas como as acima, talvez mereça manter-se afastado do trabalho por maior prazo, em especial se exercer atividade braçal ou de grande esforço.

Economia:

Aedes aegypty – Encontrado nas regiões tropicais da América do Sul

Outra questão importante é o impacto econômico da dengue para o Brasil e para o sistema previdenciário. De janeiro a novembro de 2015, por exemplo, foram concedidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) 1.185 auxílios-doenças para brasileiros acometidos pela doença. Foi quase o dobro do registrado no ano anterior, de 657 benefícios, segundo dados do Ministério do Trabalho e Previdência³. Isto custou pelo menos R$ 804,8 milhões para os cofres públicos e privados⁴.

Caso queira ler a entrevista do Dr. Kleber Luz acesse este link. Já para obter mais informações a respeito da dengue, seus sintomas e tratamento, consulte a página da Organização Mundial da Saúde.

Redação: Marisol de Freitas Vieira
Revisor: Dr. Cláudio J. Trezub

FONTES:
1-https://portugues.medscape.com/verartigo/6502867?nlid=125668_4182&src=WNL_ptmdpls_181022_mscpedit_gen&uac=269339BR&impID=1777053&faf=1
2-https://portugues.medscape.com/verartigo/6502867?nlid=125668_4182&src=WNL_ptmdpls_181022_mscpedit_gen&uac=269339BR&impID=1777053&faf=1
3-http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/dengue
4-https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2016/03/26/internas_economia,747265/dengue-e-5-razao-de-afastamentos-no-trabalho.shtml
5-https://oglobo.globo.com/rio/estimativa-que-dengue-tenha-custado-ao-pais-22-bilhoes-18825951

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